terça-feira, 27 de março de 2012

Devaneios Matitudinais

Estúpida oração

Senhor, dai água aos que tem sede,
Mas eu tenho sede e não me dás água 
Deixa-me morrer a esmo, seca, estéril 

Mendigo Amor, mendigo Paz, Liberdade...
Mas nada, nada
Não vislumbro o vermelho
Não vislumbro pombas 
Não vislumbro borboletas

A palavra tornou-se uma esperança maldita
Assim como a própria esperança

Senhor, são muitos os que olham
Raros os que enxergam
E estúpidos os que escrevem. 

Bya Maria¹



1 também conhecida como Wanubya Menezes, Dona Maria etc.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Queria dizer isso...

(...) Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um ao lado do outro. Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero, eu sou exatamente o que você quer, mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais...

Pronto, falei, era só isso... :/


(Texto de Tati Bernardi)

Quero ser Pagú

O movimento feminista é  ainda algo muito distante do conhecimento da sociedade.  Talvez por isso mesmo  gere tantos pré-conceitos, e até mesmo confusões em seu nome. Entre as mulheres  há ainda aquelas que acreditam que ser feminista é dividir a conta da pizzaria com o namorado, ledo engano.


O feminismo, é mais que um movimento por direitos civis iguais, é uma ideologia, algo a ser conquistado através de muito esforço intelectual, é uma verdadeira mudança no pensamento patriarcal de um país. E não é dividindo a conta da pizzaria com o namorado que os seus problemas acabaram, não haverá mais crianças passando fome na África e a Utopia foi alcança .


Ultimamente, o feminismo tem sido um tema que muito tem me atraído e encantado, por isso ando pesquisando sobre ele. Confesso que ainda estou engatinhando no assunto, mas mesmo eu,  no auge da minha ignorância já percebi que feminismo é coisa séria, e se deve ser tratada como tal.


Bom, em meio a essas pesquisas me deparei com a figura de uma mulher: brasileira, militante, escritora e acima de tudo libertária. Pagú, o verdadeiro exemplo da mulher feminista, não seguia  os paradigmas sociais em que se determina o que é "pro homem" e o que é "pra mulher", praticava a liberdade absoluta não se importando com os conceitos morais da sociedade (que nesse caso só servia para a mulher), e por isso mesmo tida por muitos como uma doidivana, mas não, eu acredito mesmo é que Pagú sabia bem o que estava fazendo, e por isso mesmo fazia-o, pois tinha a plena consciência de que "não se nasce mulher, torna-se¹".


"A liberdade e a prisão
Ter um barco que percorra distâncias incríveis

Saber remendar um sapato

Encontrar um amor
Amor de verdade
Ser vento, ser luz, fogo ou carvão

Tudo, tudo, tudo
Menos esta ratoeira” 

(Poesia de Pagú não publicada e sem título)


1 frase de Simone de Beauvoir


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Posto, Não Posto, Postei...


O monstro desgrAMADO¹

Hoje eu te procurei, te catei
Procurei em baixo de caracóis e não te achei
Hoje eu te vi, todo diferente, parecendo gente; deplorei
Baixei meu olhar pra você não notar que eu estava a te fitar
Queria te engolir, te matar, te castrar
Para nunca mais com outro alguém eu te encontrar
Quanto ódio eu tenho de ti
Pelo monstruoso crime que cometes ao teu amor não me dar.

É só isso...

1 Expressão que eu roubei de pretinha.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Desde que o samba é samba é assim...

Ando numa fase meio samba da vida.


Por isso, preciso falar desse vídeo/música que tanto me encantou todas as 7 vezes que o assisti de ontem à hoje.  A letra de O mundo é um moinho é sem igual, e como todo bom samba, é triste, grita filosofia. Mas esse chorinho é mais que um bom samba, a letra, a voz do Cartola tem algo de mágico que eu não sei explicar;  é sem dúvida uma das melhores músicas que já ouvi na vida.
To sem inspiração hoje pra escrever, por isso vou deixar que  Cartola fale por mim. E falará de um geito que mesmo que eu tivesse vivenciado todas guerras, passado por todas as misérias, todas as torturas medievais, ou tivesse sido a Julieta de Shakespeare não conseguiria!


"O mundo é um moinho, vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos. Vai reduzir as ilusões a pó."

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Devaneando

Eu, que não me decido, eu que não sei o que quero, eu que já tive amor e no entanto o recusei, eu que hoje sofro pelo o que um dia esnobei, e que no entanto não me espantaria comigo Mesma(s) se o tivesse novamente, e novamente o recusasse.  
Tenho alma de poeta, pertubada, pagã, melancólica; na tristeza vejo beleza, uma beleza que não é bonita, mas é atraente e viciante,  outro poeta já dizia "tenha cuidado com a tristeza,  é um vício"¹.
Também sou inconstante, inquieta e sossegada, silêncio e multidão. Nada me alegra, tenho tudo e tudo me falta. Vivo com medo de ser  o vazio de um grande nada.

³
O poema que vem a seguir vai dizer quase a mesma coisa ao que você acabou de ler (leia-se eu e mais três amigas), ou talvez diga tudo ao contrário, e mesmo assim complementa com vivacidade minhas palavras, porque sou eu transbordada em palavras , dessa vez em versos, e qualquer coisa que me descreva,  sendo contraditórias ou não, são indissociáveis porque também são Eu(s).
Traquininha

O queres tú menina!?
Porque não te decides!?
Porque és tão insolente!?
...
Tú não te contentas com nada!
Pedes alegrias;
Depois não a queres.

O que queres menina?
Te dei amor,
Tu não quizeste.

Decides então!
Diga-me o que queres, agora!
Tu que já provastes de todas as sensações.

Amor;
Dor;
Solidão.

Viva! Deixe-me viver menina!
Cresca,
Deixe-me ser feliz.

Tanto já me fizestes sofrer,
Pare um pouco,
Reflita!

Um instante só!
Amadureça comigo,
Eu quero ser feliz.

Eu quero amar!
Eu quero ser amada!
Eu quero ser amor.

Não brinque com o amor
Ele tem mágoas de você
Ele se fortaleceu, e vai te machucar menina!

Ame!
Eu te dei tudo o que pediste,
Tu não me deste escolha.

Continue!
Porque paraste?
Sai dai!

Venha cá!
Agora!
O hoje não pode mais esperar.

Nati Ramalho²


1 Poe
2 Nega
3 E a imagem o que é que tem a ver? Eu não sei, mas gostei e postei!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Meros devaneios tolos a me torturar...

O fato que vai seguir, é uma crônica/poesia/seiláoque de Aylta Benadeti. Esse, no entanto, não é uma crônica/poesia/seiláoque qualquer, pois é mais do que como se fosse alguém que  vigia os meu passos e me descreve, é como se quem a escreveu vivesse dentro de mim. 


Fatos
Tem fatos que acontecem em certos dias que não dá para fugir
Um fato é algo concretizado, comprovado e evidente
E por mais que você passe o dia fugindo dele
Parece que ele insiste em te perseguir.
E você lá tentando a se esconder, por trás de uma risada com os amigos
De uma música, fazendo dívidas, bebendo um vinho barato,
 Mas não adianta, o fato está lá,  no sub ou na emergente consciência
Ele parece gritar dentro de você, o torturando, o deixando sem saída, trêmulo e com o coração em estado de choque, mesmo assim a saída sem saída é aceitar momentaneamente o inaceitável, e o fato inaceitável torna-se com o tempo suportável, porque aceitável mesmo acho que nunca será.  E torna-se suportável através do choro que tem a magia de amenizar qualquer dor. 
E é nesses versos sem o compromisso estreito de falar perfeito, coerente ou não, sem o verso estilizado, o verso emocionado que falo dos fatos que atormentam a minha razão.
Aylta Bernadeti

E é bem assim que me sinto nos últimos dias: torturada por fatos, imagens, falas e até mesmo postagens no  facebook. E o pior de  tudo é que você  não consegui fugir dele(s), aqui ou no Alasca o fato vai te acompanhar, porque assim como a Aylta o fato também parece estar dentro de Mim(s).