sábado, 1 de junho de 2013

Um dia a menos um porre a mais

Vou começar citando Nietzsche, porque como diz uma amiga minha eu sou pedante.

"Há algo dentro de mim não apaziguado e implacável que  deseja elevar-se. Há dentro de mim um desejo que fala a linguagem do próprio amor.[...]
Ah, se eu fosse a noite!"[...]

A Noite, noite dos desiludidos do amor, para ira dos primeiros: noite também dos amantes. Noite dos poetas que morreram de amor e de fumaça, noite dos sonhos onde todos os mistérios se realizam, noite dos desalmados e dos embriagados.  Quantas lamentações essa Noite não tem tido que escutar? E quantos gemidos também!
A noite, em silêncio, vigia tudo, e como boa irmã guarda para si todos os segredos presenciados e pensados e até os desejos não realizados. Como se diz aqui pras bandas do Sertão: a Noite é coitera¹.

(mais uma)Noite dos embriagados

Um cerveja, um punck rock, e a Noite. Eu fui vencida pelos três, sempre que entro numa briga contra uma cerveja sou vencida. Estão lá, todos os embriagados caídos e as garrafas em pé.
Ah, embriagues que alivia dias de trabalho, de tédio, bendita seja! Eu te misturo com a noite e tu me misturas com o mundo, e assim formamos um triangulo amoroso onde todas as partes saem gozadas. 
Ah, maldito seja o dia seguinte em que meu corpo arde por dentro e não é de prazer! Água, água, água: grito eu.. Se Deus me ouvisse haveria um dilúvio. É quando lembramos que o banheiro é a igreja de todos os bêbados², nessa hora algo parece dizer: honey, a vida não é uma festa de rock, o mundo não é um lugar onde as pessoas são loucas e super chapadas, um lugar do caralho³. Deve ser por isso que passamos o dia tremendo, somos avessos a realidade, ideal mesmo seria que permanecermos embriagados, assim não haveria o dia seguinte em que acordamos vomitando e com um 666 escrito no braço. 

Espero que crianças não visitem este blog. Ah, esqueci, ninguém visita este blog!

1 Coitero: aquele ou aquela que sabe de tudo, mas num denuncia nada, aliás, se puder ajuda.
2 Eu ando tão Down, Cazuza
3 Júpiter Maçã

terça-feira, 14 de maio de 2013

( )


Abraçada e deitada com a solidão, 
Coberta com as minhas verdades
Correndo parada páginas de um livro 
Que me fala sobre coisas passadas
Presentes na mala carregada de pensamentos futuros
Só, solitária
Mais sozinha do que Deus.
E agora, Maria?
Maria, Maria
O mundo é teu, e a solidão também. 



1- Quadro Melancolia de Edvard Much



quinta-feira, 11 de abril de 2013

Foi nos bancos da praça


Sou Lésbica



No lugar onde o gelo se confunde com a poeira
As pedras penam teimosas, 
Confortáveis no solo seco e quente de suas crenças.
Pedras escassas que apetecem as molhadas, 
Negam a si mesmas 
E gritam inquisição as alagadas,
Sangue quente e interior úmido, 
Como mostra minha aparência, 
Não dependo de nenhum gelo
E irrigo minha carência
Com imagem e semelhança 
Que desconhece a indecência

Poesia de Zé Ningém, Gerd, Meirielle Gomes e Wanubya Maria (da coletânea POEMA DE QUINTA)

Ah e eu não sou lésbica, pelos menos não até o momento.


domingo, 31 de março de 2013

Pode vir quente que eu estou fervendo...

1

O meu botãozinho necessita florescer
Mas ele não sai sozinho 
Precisa do seu bem querer
Bem te vi, vem beijar meu botãozinho e nele me beber /ver nascer/gemer
Pois meu botãozinho não sente prazer sozinho, precisa, bem te vi, te vê.

Wanubya Maria


1 não, essa pélvis não é minha, rá. Sim, são estrias, tapa na cara da sociedade padronizada capa de revista brasileira, rá!
Fonte da imagem: https://www.facebook.com/MilitanciaErotica?fref=ts


quarta-feira, 27 de março de 2013

Do amor platônico parte 2


Concretiza-se, Amor! 



...Mas isso é só porque ela se derrete toda só  porque eu sou baiano...



segunda-feira, 11 de março de 2013

Do amor Platônico

As segundas-feira nunca foram tão poéticamente baianas... Um TrazeNo nunca me soou tão goXstoso nos ouvidos... Aah! doce segunda, chega logo outra vez, e outra e outra! Tu te tornas-te para Mim o dia mais melódico da semana, o dia em que eu avisto aquelo corpo baiano que fala trazeNo de forma tão didática. Esse teu corpo que nem é bonito, mas que Eu quero desvendar sua geografia... Me aparece! Como diz teu conterrâneo Caetano: eu quero é te tiranizar.
Era tarde e Eu queria uma rua vazia para poder andar igual personagem de novela com um sorriso de canto a canto da boca sem ninguém me rotulando de louca, é que a felicidade não consegue esperar chegar em casa para se manifestar, ela precisa se mostrar ali mesmo, mostrar os dentes...

Parece que te sinto sugando meu sangue (ah não isso são só as muriçoas me engulindo)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Entre um filme, uma música e um porre


Palavras escritas com muito penar...

Preciso sair desse mundo vulgar, onde tudo são máscaras e hipocrisias, gente sorridente e de alma amarga, (assim como eu?). Não quero ser mais uma a viver nos moldes miseráveis desse mundo civilizado, aqui se mostrar é pecado, pecado pelo qual você paga com rejeição, pecado com o qual você pagará com o maravilhoso deus te mandando para o inferno na primeira na primeira demonstração do que é você, para ele você tem que ser o que ele deseja e não o que tu desejas, aliás, recusar aos teus desejos é abrir uma porta no reino dos céus.
Forçada a viver no mundo das aparências, fico no meu quarto e me faço companhia a mim mesma, não conheço outra melhor, não quero ver gente, elas não são reais, não pensam, não são elas mesmas, me chateiam. Estar com elas é me transformar em uma delas, não quero me ver fingindo\fugindo. Mas olhe que contradição, ainda assim, sou uma amante da humanidade.

 Não quero sair daqui até que eu possa sair de mim.
Que essas palavras não me sejam versículos de bíblia.!
Vento em meus cabelos, eu sinto parte de todos os lugares
Sob meu ser, está uma estrada que desapareceu
Tarde da noite eu ouço as árvores, elas estão cantando com os mortos
No céu