Já dizia Fernandinho Pessoas "todas as cartas de amor são ridículas".
Lendo as cartas de Fernandinho (como assim assinava) para a sua amada Ophélia, cheguei a conclusão de que o mesmo afirmou isso com conhecimento de causa. As cartas de Fernandinho eram sim, deliciosamente ridículas, como o Nininho da Nininha complementou "não seriam cartas de amor se não fossem ridículas", quem olha para Álvaro de Campos diria que aquele jamais seria capaz de tamanha melosidade. Quem diria?! Os pessimistas também amam.
Ler as cartas de Pessoa dá uma nostalgia de uma época que não vivi, um rancor velado de janelas de feices e e-mails que nos dão cotidianamente a falsa ilusão de proximidade, nos prendendo no quarto e na casa dos limitados caracteres, além disso, há algo na atmosfera terrestre do século XXI que não sei explicar, como se estivesse proibido todas as expressões do ridículo amor. Pegar no papel e na tinta, pensar na pessoa amada ou nas pessoas amadas, desejadas e destilar ridicularidades, saudades, mimos e algumas vezes praguejar contra a pessoa amada porque tu agora ama sozinho.
Lendo as cartas de nininho pra nininha, floresceu em mim a vontade de escrever uma carta, mas ela não é escrita.

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